
O uso das séries Black Mirror e Extrapolations na sala de aula
A televisão e o streaming não servem apenas para entretenimento. Cada vez mais, séries têm sido produzidas com o objetivo de provocar reflexões sobre o presente e o futuro da humanidade. Um exemplo recente é o episódio “Common People”, da sétima temporada de Black Mirror, lançado em abril de 2025. A história acompanha Amanda, uma professora diagnosticada com um tumor cerebral, cuja consciência é transferida para servidores em nuvem. A tecnologia, inicialmente apresentada como solução, acaba gerando uma cadeia de cobranças e limitações que leva o marido, Mike, a decisões moralmente questionáveis para manter a esposa “ativa”.
Outra série relevante nesse debate é Extrapolations (Apple TV+), de 2023, que explora os impactos das mudanças climáticas ao longo de décadas. Em especial, o episódio “2047: The Fifth Question” mostra uma Miami já parcialmente submersa e um rabino tentando manter viva a sua sinagoga. A crise ambiental provoca dilemas éticos e espirituais, sobretudo quando uma jovem, às vésperas do bat mitzvah, pergunta: “Estamos no apocalipse e Deus vai se preocupar com o meu bat mitzvah?”. A pergunta sintetiza o choque entre tradição, fé e o colapso do mundo natural.
Essas produções não estão tão distantes da realidade quanto parecem. Elas refletem preocupações reais sobre o futuro e dialogam com temas cada vez mais presentes nos vestibulares: ética, tecnologia, sustentabilidade, responsabilidade social. Discuti-las em sala de aula ou utilizá-las como repertório em redações pode enriquecer significativamente o aprendizado.

A discussão também se aplica ao cenário brasileiro. Em entrevista recente, o professor Bernardo Gontijo, da UFMG, destacou como a expansão urbana desordenada em Belo Horizonte tem provocado aquecimento excessivo, redução da umidade e riscos ambientais. Ele defende políticas públicas de preservação ambiental e arborização urbana como medidas fundamentais para enfrentar esses problemas.

Além disso, o avanço acelerado da inteligência artificial em países como a China, com modelos como o Manus AI, amplia o debate sobre os impactos sociais e éticos das tecnologias emergentes. Essas transformações exigem que a escola acompanhe os temas do mundo contemporâneo.
Por que esse debate importa para os estudantes?
Porque pensar o futuro é uma forma de agir no presente. Quando séries, notícias e pesquisas científicas são trazidas para a sala de aula, elas deixam de ser temas distantes e passam a integrar o processo de formação crítica dos alunos. Ao se apropriar desses debates, a comunidade escolar se torna mais preparada para enfrentar os desafios das próximas décadas com consciência e responsabilidade
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