
Conheça o professor Pagy, o educador do Determinante que encontrou na astrofotografia um refúgio e uma nova forma de pesquisa.
Nesta série, vamos conhecer melhor os professores do Determinante para além da rotina escolar. A proposta é mostrar hobbies, passatempos e interesses que revelam outros lados desses profissionais. Começamos com o professor Pagy, de Biologia, que encontrou na astrofotografia mais do que um hobby: uma área de interesse e pesquisa conduzida de forma autônoma.
Pagy é reconhecido por ter um dos quadros mais belos do Determinante e por ser muito competente e querido por toda a nossa comunidade escolar. Aqui, ele compartilha um pouco de sua trajetória e de como a astronomia e a fotografia do céu se tornaram parte essencial de sua vida.
“É um lugar que eu vou trabalhar feliz”
CNo Determinante, encontro um ambiente muito leve, agradável e acolhedor. É um lugar que valoriza o pessoal e mantém relações muito próximas entre os profissionais. Há amizade com os alunos e um clima intimista, que propicia interações que vão além da docência. É um espaço em que me sinto muito bem, onde vou trabalhar feliz.
“Olhar pra cima pra não ter que olhar pra baixo”

A astronomia surgiu na minha vida durante a pandemia, em 2020. Ganhei um telescópio simples, chinês, de presente de Dia dos Pais, dado pela minha esposa e pelas minhas filhas. Foi amor à primeira vista, com perdão do trocadilho. Naquele contexto difícil, foi uma válvula de escape. Eu dizia muito: “Vou olhar para cima para não ter que olhar para baixo e ver as desgraças que caem sobre nós”. Como moro em um apartamento com área externa, pude passar bastante tempo estudando e aprendendo sobre astronomia, mesmo em isolamento. Sempre fui curioso e canalizei esse interesse em leituras e estudos autônomos. Aos poucos, conheci outros astrônomos amadores, troquei experiências e, daí, veio o encantamento: observar o mundo pelas lentes e querer compartilhar essa sensação com outras pessoas.
“Daí pra entrar no mundo da astrofotografia foi um pulo”
Comecei a comprar alguns acessórios pelo AliExpress. Uma das primeiras aquisições foi uma câmera baratíssima, cerca de cinco dólares, para acoplar ao telescópio e tentar fotografar o que eu via. Daí para entrar no mundo da astrofotografia foi um pulo. Passei a estudar técnicas, entender o que podia fazer com meu equipamento e fui me aprimorando. Hoje, a astronomia é uma paixão e um hobby, mas também carrego a vontade de contribuir cientificamente. Aprendi que essa é uma ciência democrática: é possível colaborar com descobertas mesmo de casa, com equipamentos simples — às vezes, até sem eles. Tenho como projeto pessoal desenvolver uma linha de pesquisa ligada à astrobiologia, área que busca sinais de vida fora da Terra. Por incrível que pareça, com meu telescópio e meu computador consigo participar dessa busca. Para mim, essa é a questão mais importante já levantada pela ciência: a da nossa existência. Trabalhamos com probabilidades e, embora seja plausível que exista vida fora da Terra, a ciência exige evidências, e elas ainda não foram encontradas. Se eu puder contribuir minimamente para essa busca, será uma enorme satisfação.
“Respira, há coisas muito maiores”
A astronomia também me trouxe reflexões existenciais e filosóficas. Ao compreender que fazemos parte de um sistema minúsculo dentro do universo, relativizo muitas coisas — inclusive as relações humanas e a forma de conduzir a vida. Isso me ajuda a lembrar que o mundo continuará existindo independentemente das nossas alegrias, angústias ou aspirações. É um pensamento que oferece centralidade e calma. Para alguém ansioso como eu, é quase um lembrete: “respira, há coisas muito maiores”. E isso ajuda a viver de forma mais presente e com menos conflitos.
“É uma matéria que eu acho que faz muita falta”
Cheguei a lecionar astronomia no outro colégio em que trabalho, durante um ano e meio, em disciplinas eletivas. Foi uma forma de ganhar dinheiro com o hobby, mesmo que com poucas horas de aula. Se houvesse mais espaço para a disciplina nas escolas, certamente eu continuaria lecionando. Acredito que a astronomia faz falta no currículo, pois amplia a visão de mundo e estimula o pensamento crítico.
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