Além da Aula: Profa. Juliana e a geografia dos encontros
Conheça a história da professora Juliana Rosemburg, que une a paixão por mochilões e cachoeiras à leveza de ensinar
Um lugar para pertencer
Há professores que chegam a uma escola e levam tempo para se sentir parte dela. Com Juliana Rosemburg, a história foi diferente. Mesmo tendo ingressado no Determinante há apenas dois anos, ela fala da instituição com a familiaridade de quem encontrou um lugar onde pode ser ouvida, crescer profissionalmente e construir laços genuínos.
Para ela, o ambiente da escola é marcado por uma característica que aparece repetidamente em suas palavras: o acolhimento.
“O Det é puro acolhimento e sucesso!”, resume.
Juliana conta que os gestos cotidianos ajudam a construir essa sensação de pertencimento. Um sorriso pelos corredores, um cumprimento pela manhã ou uma conversa rápida entre uma aula e outra fazem diferença em uma rotina intensa.
“A equipe toda do Det é muito acolhedora, todos sempre têm um sorriso pelos corredores no ‘bom dia’, ou alguma troca carinhosa inesperada entre aulas.”
Ao mesmo tempo, ela destaca a dimensão profissional dessa experiência. Trabalhar em uma instituição reconhecida pelo alto desempenho representa uma validação importante de sua trajetória. Mais do que isso, oferece a oportunidade de conviver diariamente com educadores que admirava antes mesmo de fazer parte da equipe.
“Estar por aqui é um privilégio porque, ao mesmo tempo que é um reconhecimento do meu trabalho, como professora em uma instituição de alto desempenho, por aqui posso trocar experiências sempre muito ricas com professores que eu sempre admirei no mercado de trabalho e que hoje são meus colegas.”
A convivência diária acabou transformando admiração em amizade. Na sala dos professores, segundo ela, não faltam momentos de descontração.
“Não tem um dia que a gente sai da sala dos professores sem dar altas risadas.”
Entre as lembranças que guarda com carinho estão os chamados “Dias D” dos professores, quando a equipe combina roupas temáticas ou pequenos símbolos que reforçam a identidade coletiva. Para Juliana, esses momentos expressam algo maior.
“Eu adoro quando a gente marca o dia D dos professores, com uma roupa igual ou algum simbolismo que faz todo mundo pertencer, de alguma forma.”
Ela acredita que o próprio espaço físico da escola contribui para esse sentimento. As salas iluminadas, as áreas abertas de convivência e o pátio dialogam com uma proposta que valoriza a proximidade entre as pessoas.
“O Det é um lugar de segurança, de partilha muito grande. O Det dá a possibilidade da gente ser o que a gente é.”
Aprender também é criar conexões

Quando fala dos alunos, Juliana demonstra o mesmo entusiasmo. Em sua visão, o aprendizado acontece melhor quando existe confiança entre as pessoas envolvidas no processo.
Por isso, ela busca equilibrar seriedade e leveza dentro da sala de aula.
“É sempre possível conciliar o aprendizado com momentos de descontração. Saber a hora de cada um é muito importante.”
A professora descreve seus estudantes como jovens interessados, carinhosos e receptivos. Essa abertura permite que ela compartilhe aspectos de sua vida que vão além do conteúdo curricular.
Um dos personagens mais conhecidos pelos alunos é Moleque, seu cachorro.
“Falo do Moleque, meu cachorro, e eles sempre perguntam como ele tá.”
Pode parecer um detalhe simples, mas Juliana enxerga nesses pequenos diálogos uma dimensão importante da educação. Para ela, conhecer a pessoa que está ao seu lado favorece a construção da confiança e amplia as possibilidades de aprendizagem.
“Quando você conhece e confia na pessoa que está no processo com você, fica mais fácil ouvir, confiar e compreender que há uma possibilidade dessa pessoa agregar uma vivência, uma fala, um valor à nossa vida.”
Essa visão ajuda a explicar por que suas aulas costumam extrapolar os limites do livro didático. A Geografia, afinal, não está apenas nos mapas ou nos conceitos estudados em sala. Ela também aparece nas experiências, nas histórias e nos diferentes modos de enxergar o mundo.
A relação construída ao longo do ano permite que esses elementos circulem naturalmente entre professora e alunos, tornando o processo educativo mais humano e significativo.
Entre cachoeiras, trilhas e mochilões
Se existe uma frase capaz de resumir a forma como Juliana vive a Geografia, ela mesma a encontrou.
“Professor de Geografia, quando viaja, tira foto pra botar no slide!”
A brincadeira provoca risos, mas contém uma boa dose de verdade. Fora da escola, suas maiores paixões estão ligadas à descoberta de lugares e paisagens. Trilhas, cachoeiras e viagens ocupam um espaço importante em sua vida.
“Eu sempre fui muito de escapar da cidade grande quando posso. Desde pequena gosto de ir pro mato, molhar a cabeça debaixo da queda da cachoeira.”
Mais do que lazer, esses momentos representam uma forma de reencontro consigo mesma. Em meio às exigências do cotidiano, ela encontra na natureza uma oportunidade para reorganizar pensamentos e relativizar preocupações.
“Sinto que eu me reconecto com quem eu sou, e com meu tamanho no mundo.”
A reflexão tem muito da formação de uma geógrafa, como ela mesma reconhece com bom humor.
“Por maior que seja o problema que eu esteja enfrentando naquele momento, ele é pequeno perto da imensidão desse mundo que a gente vive. Papo de geógrafa demais.”
O desejo de viajar, contudo, vai além da contemplação da paisagem. Está ligado à curiosidade, ao encontro com diferentes culturas e à possibilidade de transformação pessoal.
“É sempre por uma ânsia de pertencer e de me mudar por qualquer experiência que eu possa encontrar pelo caminho.”
Cada destino é uma oportunidade de descobrir algo novo. Seja em uma trilha próxima ou em uma viagem mais distante, ela busca viver intensamente o que cada lugar tem a oferecer.
“Longe ou perto eu descubro, eu conheço, eu questiono, eu vivo o que aquele lugar tem a oferecer.”
Ao final da conversa, fica a impressão de que a Geografia de Juliana Rosemburg não se resume ao estudo dos territórios. Ela está presente nos vínculos que constrói, nos caminhos que percorre e na disposição permanente para conhecer o mundo e as pessoas com curiosidade e afeto.
Talvez por isso sua definição de felicidade seja tão simples quanto reveladora:
“Me dá meu mochilão nas costas e meu cachorro que eu me jogo nesse mundo sem passagem de volta!”
Dicas Extras: Canal do YouTube do Det
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