A arte de observar e a liberdade de ensinar

Conheça Gabrielle Glauss, a professora que une música eletrônica, olhar urbano e estilo pessoal para construir uma pedagogia do acolhimento e da escuta.

Gabrielle Glauss entrou no Determinante neste ano, mas fala da escola com o entusiasmo de quem encontrou rapidamente um lugar de pertencimento. Professora atenta, expressiva e curiosa, ela entende a educação como um processo de construção conjunta, em que ensinar também significa aprender. Fora da sala de aula, seus interesses passam pelo movimento da cidade, pela observação das pessoas, pela moda e pela música eletrônica. Mais do que hobbies isolados, são formas de olhar o mundo que ajudam a explicar também sua maneira de estar diante dos alunos.

Liberdade para ser professora do próprio jeito

Sala de professores do Colégio e Pré-vestibular Determinante

“Eu me senti muito bem-vinda, muito querida”

Por estar em seu primeiro ano no Determinante, Gabrielle diz que sua relação com a escola ainda está em construção. Mesmo assim, afirma que desde o início se sentiu acolhida pela comunidade e recebeu uma recepção calorosa da equipe e dos alunos.

O que mais a marcou nesse começo foi perceber que encontrou um ambiente aberto à sua subjetividade, ao seu jeito de dar aula e à sua forma de se expressar enquanto pessoa, sempre dentro dos limites naturais do profissionalismo. Para ela, essa liberdade faz diferença porque nem sempre o ambiente escolar permite que o professor preserve sua identidade com espontaneidade.

Gabrielle comenta que admira justamente essa autenticidade nos colegas. Em sua visão, o corpo docente do Determinante é formado por professores muito diferentes entre si, cada um com personalidade e estilo próprios, e isso torna o ambiente mais leve e interessante. Ela relembra, inclusive, pequenas situações do cotidiano que mostram esse espírito descontraído, como o dia em que vários professores combinaram de ir vestidos de branco e, depois, o dia da meia colorida. Para ela, são detalhes simples, mas que mostram um ambiente divertido e humano.

As janelas e o jardim

“Eu tenho uma sensação de aconchego naquele prédio”

Professora Gabi com os alunos no Colégio Determinante

Outro aspecto de que Gabrielle fala com carinho é o espaço físico da escola. Ela conta que gosta especialmente da sala de aula com os grandes janelões, das cortinas e da vista para o jardim. Há, segundo ela, algo naquele ambiente que transmite aconchego e torna a escola menos impessoal.

Enquanto dá aula, gosta de olhar para os alunos e perceber ao fundo a presença do jardim pela janela. Esse detalhe, aparentemente pequeno, produz nela uma sensação de acolhimento difícil de explicar, como se o espaço inteiro envolvesse a sala de aula de maneira mais calorosa. Para Gabrielle, o prédio novo tem justamente essa característica de fazer com que o ambiente escolar pareça mais próximo, mais confortável, quase como uma casa.

Quando a aula vira troca

“Eu saio da aula com outra formação”

Na relação com os alunos, Gabrielle destaca o interesse e a abertura das turmas. Ela afirma que encontra estudantes curiosos, respeitosos, carinhosos e genuinamente interessados não apenas no conteúdo, mas também nas pessoas que estão ensinando.

O que mais gosta nessa convivência é a possibilidade de troca. Segundo ela, muitas vezes entra em sala para ensinar um assunto e termina a aula sentindo que também saiu transformada pela conversa, pelas perguntas ou pelos pontos de vista trazidos pelos alunos. Para Gabrielle, esse é um dos aspectos mais bonitos da educação, porque ensinar não deveria ser apenas transmitir conteúdo, mas participar de um processo em que todos formam e são formados ao mesmo tempo.

O prazer de observar a cidade

“Meu hobby mais antigo talvez seja ver o movimento da rua”

Professora Gabi gosta de música eletrônica

Quando fala sobre sua vida fora da escola, Gabrielle começa por um interesse que talvez nem pareça, à primeira vista, um hobby tradicional. Ela conta que gosta muito de estar à toa, de ter tempo para contemplar, imaginar e simplesmente existir sem estar sempre ocupada por tarefas e obrigações. Para ela, há valor no ócio, na pausa e na experiência de viver com mais calma.

Mas esse estado de contemplação costuma vir acompanhado de movimento. Gabrielle gosta especialmente de estar na rua e observar a cidade. Gosta de andar sem rumo, olhar prédios, reparar em casas antigas, perceber reformas, descobrir eventos inesperados e acompanhar a dinâmica da vida urbana acontecendo ao redor.

Ela fala com entusiasmo sobre a possibilidade de encontrar um sarau, uma batalha de rima, um rap acontecendo em algum ponto da cidade, de visitar um parque, andar de pedalinho na lagoa ou simplesmente sair para caminhar observando o modo como as pessoas ocupam os espaços. Durante muito tempo, não pensou nisso como um hobby, até perceber que um dia havia pego o carro sem destino e saído apenas para andar pela cidade, observando seu movimento. Foi nesse momento que entendeu o quanto esse gesto já fazia parte de quem ela é.

Moda também conta histórias

“Eu gosto de pensar na minha roupa como forma de expressão”

Professor Gabi Glauss

A moda aparece em sua vida como outro grande interesse e, mais uma vez, ligada à observação e à linguagem. Para Gabrielle, roupas não são apenas roupas. São formas de expressão, maneiras de comunicar estados de espírito, ideias e referências.

Ela gosta de pensar no que veste como parte de sua linguagem pessoal e muitas vezes relaciona suas escolhas ao que está sentindo ou até mesmo ao conteúdo que irá trabalhar em aula. Se vai falar sobre Salvador Dalí, por exemplo, gosta de escolher um acessório mais surrealista ou uma peça que dialogue visualmente com aquela estética. Se vai abordar o Barroco, procura compor algo que lembre o rebuscamento desse estilo.

Mas seu interesse não está apenas em se vestir. Gabrielle gosta também de observar como os outros se apresentam. Repara no delineado colorido de uma aluna, no cabelo roxo, na camisa de futebol de um estudante, nas pequenas escolhas visuais que revelam algo sobre quem aquela pessoa é. Para ela, a forma como alguém se veste sempre conta uma história, e observar essas histórias é uma das coisas que mais lhe interessam.

Abrir espaço para o mundo do outro

“Eu gosto quando o aluno quer me mostrar o mundo dele”

Nos últimos tempos, Gabrielle também passou a se dedicar à produção e à mixagem de música eletrônica, especialmente ligada à cena underground, um universo que, segundo ela, desperta interesse não só pelo som, mas pelas ideias, pela estética e pelo caráter experimental que o envolve.

Quando pensa sobre a influência de todos esses interesses em sua atuação como professora, Gabrielle diz que não gosta de separar rigidamente a vida pessoal da profissional. Para ela, não existe uma divisão completa entre a pessoa e a professora, porque ambas são a mesma identidade ocupando lugares diferentes.

Ainda assim, acredita que seus interesses ajudam a formar seu olhar em sala de aula. Seu hábito de observar, contemplar e prestar atenção aos detalhes faz com que tenha uma postura mais atenta diante da turma, percebendo melhor as relações entre os alunos, as dinâmicas do grupo e a atmosfera da sala.

Essa disposição também faz com que esteja aberta ao universo trazido pelos próprios estudantes. Gabrielle afirma que gosta quando um aluno compartilha seus interesses, apresenta suas referências e tenta mostrar um pouco do seu mundo pessoal. Para ela, existe algo de muito bonito nesse gesto de querer dividir com o outro aquilo que se ama.

Talvez seja justamente essa combinação entre curiosidade, observação e abertura para a troca que melhor resuma sua forma de ensinar. Para Gabrielle, a sala de aula é, antes de tudo, um espaço onde pessoas se encontram, se observam e aprendem juntas.

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