Redação do Enem 2025: pensando temas e repertórios a partir dos eixos temáticos

Nesta semana final, o Determinante te dá dicas de possíveis temas e repertórios para você se preparar para a prova.

Os dias que antecedem o Enem têm sempre um mesmo clima: revisão, expectativa e curiosidade. Entre os simulados e os resumos, volta a pergunta que todo estudante faz: qual será o tema da redação? A dúvida é legítima, mas a preparação mais eficaz é aquela que não tenta adivinhar o assunto, e sim compreender os caminhos que o Enem costuma seguir.

Aprovados do Colégio e Pré-vestibular Determinante

A redação é o momento em que o estudante mostra não apenas o domínio da escrita, mas a capacidade de leitura crítica do Brasil. Por isso, conhecer os eixos temáticos é o primeiro passo para entender o que pode aparecer. Eles funcionam como molduras que abrigam diferentes questões sociais e permitem organizar repertórios sólidos e atualizados.

Os Principais Eixos Temáticos

1. Educação e Cidadania

Um dos eixos mais recorrentes no Enem. Abrange discussões sobre desigualdade educacional, formação cidadã, políticas públicas, acesso à escola e qualidade do ensino no Brasil.

Temas prováveis:

  • Educação antirracista e descolonização do currículo escolar
  • Alfabetização midiática e combate à desinformação
  • Evasão escolar no ensino médio brasileiro
  • Formação ética e educação para a cidadania

Repertórios socioculturais:

  • Carolina Maria de Jesus (Quarto de Despejo): relato sobre exclusão educacional e social das periferias brasileiras
  • Paulo Freire (Pedagogia do Oprimido): educação como prática libertadora e conscientizadora
  • Darcy Ribeiro: sua célebre frase “A crise da educação no Brasil não é uma crise, é um projeto” evidencia o abandono histórico da educação pública
  • bell hooks (Ensinando a transgredir): reflexões sobre pedagogia crítica e emancipatória
  • Emicida (documentário AmarElo – É Tudo pra Ontem): educação para as relações étnico-raciais e valorização da cultura negra
  • Anísio Teixeira: pioneiro da escola pública democrática no Brasil

2. Saúde e Qualidade de Vida

Campo amplo que permite abordar desde debates sobre o SUS e políticas de prevenção até questões de saúde mental, hábitos contemporâneos e desigualdade no acesso aos serviços de saúde.

Temas prováveis:

  • Saúde mental de jovens na era digital
  • Impactos das mudanças climáticas na saúde pública
  • Desertos alimentares e insegurança nutricional no Brasil
  • Precarização do SUS e desafios da saúde pública

Repertórios socioculturais:

  • Josué de Castro (Geografia da Fome): análise sobre fome, desigualdade e segurança alimentar no Brasil
  • Drauzio Varella: divulgação científica e discussões sobre vulnerabilidade social e saúde
  • Conceição Evaristo: em sua obra, aborda o corpo negro, a violência e o acesso desigual à saúde
  • Machado de Assis (O Alienista): crítica à medicalização e aos limites entre normalidade e loucura
  • Campanha da Fraternidade 2024 (tema: Fraternidade e Amizade Social): reflexões sobre saúde coletiva e bem comum

3. Tecnologia e Comportamento

A inteligência artificial, a hiperconectividade e a transformação digital são temas centrais de 2025. Este eixo discute como a tecnologia redefine o trabalho, a privacidade, a aprendizagem e as relações sociais.

Temas prováveis:

  • Inteligência artificial e precarização do trabalho
  • Regulamentação de redes sociais e proteção de dados pessoais
  • Democratização do acesso digital no Brasil
  • Desinformação e polarização política nas redes

Repertórios socioculturais:

  • Aldous Huxley (Admirável Mundo Novo): distopia sobre controle social através da tecnologia
  • Byung-Chul Han (Sociedade do Cansaço): análise da autoexploração na era digital
  • Shoshana Zuboff (Capitalismo de Vigilância): reflexão sobre exploração de dados pessoais
  • Ailton Krenak (Ideias para Adiar o Fim do Mundo): crítica ao tecno-solucionismo e defesa de outras formas de relação com o mundo
  • Documentário “O Dilema das Redes”: impacto psicológico das mídias sociais e manipulação algorítmica
  • Marco Civil da Internet e LGPD: marcos regulatórios brasileiros sobre direitos digitais

4. Cultura e Identidade

Este eixo abrange manifestações culturais, diversidade brasileira, patrimônio imaterial, questões étnico-raciais e de gênero, além dos processos de valorização e apagamento de identidades.

Temas prováveis:

  • Apropriação cultural versus valorização de manifestações tradicionais
  • Apagamento de culturas indígenas e políticas de preservação
  • Gentrificação e elitização de espaços culturais periféricos
  • Representatividade e diversidade na cultura brasileira

Repertórios socioculturais:

  • Lélia Gonzalez: conceito de amefricanidade e discussões sobre racismo e cultura afro-brasileira
  • Davi Kopenawa (A Queda do Céu): cosmologia yanomami e resistência cultural indígena
  • Mário de Andrade (Macunaíma): identidade nacional e diversidade cultural brasileira
  • Elza Soares: trajetória como símbolo de resistência cultural negra
  • Conceito de “quilombo cultural”: espaços periféricos de resistência artística e produção cultural
  • Lei Aldir Blanc: política pública de fomento à cultura durante a pandemia
  • Semana de Arte Moderna de 1922: marco de renovação cultural e discussão sobre identidade nacional

5. Meio Ambiente e Sustentabilidade

Eixo urgente e recorrente, que conecta questões ambientais, climáticas, econômicas e de justiça social. O Brasil, com sua biodiversidade e desafios socioambientais, está sempre no centro desses debates.

Temas prováveis:

  • Transição energética e matriz renovável brasileira
  • Desmatamento e crimes ambientais na Amazônia
  • Racismo ambiental e populações vulneráveis
  • Consumo consciente e economia circular

Repertórios socioculturais:

  • Ailton Krenak (A Vida Não é Útil): crítica ao antropocentrismo e defesa da cosmovisão indígena
  • Chico Mendes: ativismo socioambiental e luta pela preservação da Amazônia
  • Tratado de Escazú: acordo sobre democracia ambiental e direitos na América Latina
  • Documentário “O Território”: registro da luta indígena pela preservação territorial
  • Conceito de racismo ambiental: populações vulneráveis sofrem mais com impactos ambientais
  • Agenda 2030 (ONU): Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

6. Trabalho e Sociedade

Eixo que aborda transformações nas relações trabalhistas, precarização, desemprego, qualificação profissional e os impactos das mudanças econômicas na vida dos brasileiros.

Temas prováveis:

  • Uberização e precarização das relações trabalhistas
  • Reforma trabalhista e seus impactos sociais
  • Desemprego juvenil e qualificação profissional
  • Saúde mental e esgotamento no ambiente de trabalho

Repertórios socioculturais:

  • Ricardo Antunes (O Privilégio da Servidão): análise da uberização e precarização do trabalho contemporâneo
  • Filme “Você Não Estava Aqui” (Ken Loach): retrato da precarização do trabalho na economia de aplicativos
  • Conceito de “bullshit jobs” (David Graeber): trabalhos sem sentido social ou produtivo
  • CLT (Consolidação das Leis do Trabalho): marco histórico dos direitos trabalhistas no Brasil
  • Luiz Gama: advogado abolicionista que lutou pela libertação de trabalhadores escravizados no século XIX

Como Usar os Repertórios

Os repertórios socioculturais não devem ser citações decoradas ou forçadas. A banca valoriza o uso crítico e contextualizado das referências, demonstrando compreensão real dos debates sociais.

Dicas práticas:

  • Conecte o repertório organicamente à sua argumentação
  • Diversifique as fontes: literatura, cinema, filosofia, dados sociológicos, legislação
  • Evite generalizações: explique brevemente como o repertório se relaciona ao tema
  • Prefira repertórios brasileiros ou que dialoguem com a realidade nacional

Estratégias de preparação

Na reta final, é mais eficaz revisar o essencial do que tentar aprender tudo. Escolher dois ou três eixos para aprofundar, construir repertórios e revisar textos já escritos é uma forma inteligente de fixar conteúdo. Relacionar literatura, cinema, história e atualidades demonstra maturidade argumentativa.

Também vale praticar a estrutura da redação: tese, desenvolvimento coeso e conclusão com proposta de intervenção. A clareza é sempre o melhor caminho.

Na semana da prova

Os últimos dias devem ser de foco e calma. Dormir bem, revisar o tempo de escrita e reler correções anteriores são atitudes que fortalecem a confiança. A serenidade é parte do preparo. O estudante que chega equilibrado escreve melhor porque pensa melhor. Nesta reta final, revise os eixos temáticos, releia seus repertórios e pratique a escrita com foco na proposta de intervenção detalhada. Lembre-se: a redação do Enem exige não apenas diagnosticar problemas, mas propor soluções viáveis e respeitosas aos direitos humanos.

Seja qual for o tema no domingo, acreditamos que você estará preparado(a) para construir uma argumentação consistente, crítica e bem fundamentada.

Bons estudos e boa prova!

Texto produzido pela equipe do Determinante – Pré-Vestibular

Dicas Extras: canal do YouTube do Det

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