Escrever mais, escrever melhor: os novos desafios do processo seriado da UFMG

Saiba como as novas diretrizes, com ênfase em questões discursivas e redações criativas, exigirão novas habilidades e podem ser sua estratégia para o sucesso.

Retomando o texto anterior do blog sobre o novo processo seletivo da UFMG, chegou a hora de aprofundarmos uma das transformações mais significativas da proposta: a volta da escrita como protagonista das avaliações. Trata-se de uma novidade a ser comemorada, não apenas por seu ineditismo, se considerarmos o modelo avaliativo do ENEM, mastambém  por marcar uma guinada importante em direção a um modelo que valoriza a expressão, o raciocínio articulado e o domínio da linguagem.

A partir de agora, o Processo Seletivo Seriado da UFMG prevê questões dissertativas em todas as etapas da prova, além de uma proposta de redação com diferentes gêneros textuais. Isso representa uma reaproximação com a escrita não como fórmula engessada, mas como exercício de pensamento e criação. É, em muitos sentidos, um reencontro com a inteligência que se manifesta por meio da palavra.

A nova modalidade é voltada principalmente para estudantes que estão ingressando no 1º ano do Ensino Médio, mas o processo está aberto a todos: quem está no 2º ou 3º ano, quem faz pré-vestibular, quem já realizou o ENEM. Nada impede a combinação dos dois caminhos. E, para quem sonha com cursos altamente concorridos, é estratégico poder contar com uma segunda via — sem que isso represente uma desistência ou uma repetição, mas sim um planejamento lúcido e exequível.

Serão duas questões dissertativas na primeira etapa, duas na segunda e até oito na terceira, além da redação. O estudante que vinha se acostumando com as questões objetivas do ENEM agora vai precisar formular respostas com clareza, coesão e domínio da norma culta. Voltar a escrever — ou começar a escrever mais e mais — será uma necessidade.

Nesse ponto, os verbos de comando se tornam aliados fundamentais. São eles que orientam a resposta, sinalizando o que exatamente se espera do candidato. Conhecer esses verbos é, portanto, tão importante quanto conhecer o conteúdo. Veja alguns exemplos (lembrando que a lista é extensa e variada):

  • Definir: apresentar o significado de um termo.
  • Explicar: desenvolver uma ideia com clareza e lógica.
  • Comparar: apontar semelhanças e diferenças.
  • Exemplificar: ilustrar com situações concretas.
  • Analisar: decompor e interpretar criticamente.
  • Identificar: localizar ou nomear um dado relevante.
  • Relacionar, avaliar, argumentar, interpretar e distinguir são outros tantos que podem surgir.

Além do aspecto verbal, o aluno também precisa ficar atento ao espaço da resposta. A referência — como nas antigas provas da UFMG — é de cerca de 12 linhas por questão. Responder menos de 70% desse espaço (algo como oito linhas) pode ser penalizado. Da mesma forma, ultrapassar o limite prejudica a objetividade. Treinar para escrever com concisão, foco e clareza é essencial.

Outro ponto instigante: as questões poderão ser interdisciplinares. O aluno pode ser convidado a explicar um processo químico com base em um fenômeno biológico, discutir a produção de energia no corpo humano a partir de suplementos alimentares, ou mesmo interpretar um poema barroco à luz de debates contemporâneos sobre beleza e identidade. O campo é fértil — e o diálogo entre áreas favorece uma aprendizagem mais ampla e mais viva. Podemos, inclusive, buscar aulas e atividades interdisciplinares durante o Ensino Médio

E chegamos à redação. A grande novidade é que ela não será mais limitada ao modelo dissertativo-argumentativo clássico, com introdução, dois parágrafos de desenvolvimento e conclusão com proposta de intervenção. O modelo da UFMG abre espaço para múltiplos gêneros textuais, o que exige mais do que fórmula: exige autoria, conhecimento e criatividade.

Entre os gêneros possíveis, destacam-se:

  • Artigo de opinião
  • Editorial
  • Discurso
  • Manifesto
  • Crônica
  • Carta argumentativa
  • Resenha crítica
  • Outros, muitos outros, conforme a proposta do exame.

Esses são apenas exemplos. O que se espera do estudante é a capacidade de reconhecer o gênero, adaptar o vocabulário, a estrutura e o tom conforme o propósito comunicativo. Um discurso exige persuasão. Uma crônica exige sensibilidade narrativa. Um editorial exige ponderação crítica. São tarefas distintas, mas que convergem num ponto: a escrita viva, lúcida e significativa.

Então, a dica é clara: chegou a hora de deixar o tablet e o computador de lado, assim como as intermináveis listas de exercícios fechados.  Aponte seus lápis, destampe a caneta, abra o seu caderno, e comece — ou recomece — a escrever. A escrita voltou a ser protagonista na UFMG, e quem souber se expressar com clareza, criatividade e consciência vai estar um passo à frente. Escrever não é só uma exigência da prova. É uma ferramenta para pensar melhor, para se fazer entender, para ocupar o seu lugar no mundo. É hora de escrever e fazer da escrita o diferencial em sua aprovação.

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